Há algumas semanas, Nair Flores embarcava seu simpático cãozinho Pinpoo, um S.R.D. resultado da mistura entre pinscher e poodle (daà o seu nome) pela Gol no Aeroporto Internacional Salgado Filho (POA) em Porto Alegre, com destino a Vitória, ES. A história ficou muito conhecida na mÃdia, pois Pinpoo não chegou ao destino, e desapareceu. Pinpoo entrou no trending topics mundial do twitter, e apareceu em jornais e programas de televisão do paÃs inteiro.
Felizmente, 14 dias após o desaparecimento, Pinpoo foi encontrado por militares que trabalham no aeroporto.
É sempre com dor no coração que recebemos notÃcias de animais de estimação que têm qualquer tipo de problema durante a viagem. A história do Pinpoo nos deixou aflitos e, é claro, ficamos muito felizes quando ele foi resgatado. Mas será que é possÃvel identificar por que realmente esta quase-tragédia aconteceu? De quem é a culpa do ocorrido? E como podemos evitar que isso aconteça com outros cães?
A resposta para esta pergunta passa por uma questão central: a caixa de transporte.
Viajar com seu pet pode ser caro. Além de toda a preparação, há a taxa de transporte da companhia aérea, e especialmente a caixa de transporte. Na hora de comprar, temos uma variedade enorme de tamanho e de qualidade. Preços que variam entre R$80 a R$1300. Será que vale a pena gastar um pouco mais na caixa?
Acima vemos a caixa do Pinpoo. Nota-se que o tamanho não é apropriado para ele. Ele deveria ter espaço para ficar nas quatro patas com a cabeça erguida sem encostar a cabeça no teto. Além de poder deitar confortavelmente e dar uma volta em torno de si mesmo.
Passagens aéreas para pets são caras, neste caso cobra-se pelo volume. Ou seja, quanto maior a caixa, mais cara a viagem. Soma-se a isso o fato de que é difÃcil encontrar caixas de transporte grandes apropriadas fora de São Paulo. Nair viajou com a companhia aérea Azul mas de última hora foi informada de que não poderia levá-lo e fez a reserva pela Gollog (empresa de transporte de cargas da Gol). Talvez não tenham tido tempo de pesquisar melhor e comprar uma caixa melhor.
O tamanho não é o único problema desta caixa. O plástico dela não é duro, é um plástico que dobra. Dobra o suficiente para criar uma abertura e abrir as portas.
Outro ponto importante é acostumar-se com a caixa. O cão que tem tempo para acostumar-se com a caixa de transporte, não vai tentar fugir dela, pois se sente protegido DENTRO dela.
A trava da caixa não parece ter sido o problema neste caso, pois a porta está lacrada. Mas dependendo da companhia aérea às vezes ela nem é lacrada, e é necessário garantir que a trava seja firme e resistente.
Então de quem é a culpa?
A culpa, na verdade, é da desinformação. Tanto da companhia aérea quanto da proprietária do Pinpoo. Estou certo de que ambos queriam o melhor para ele, e o fizeram dentro de suas condições. A companhia aérea poderia muito bem não tê-lo aceito nestas condições, e seria o sensato a se fazer. Com certeza proprietária do Pinpoo acharia um absurdo não o terem aceito ou terem alegado que a caixa de transporte não estava em condições. Certamente a Gol terá que rever seus procedimentos para embarque de animais (que, aliás, foram recentemente revistos), e os dias de caixas como a do Pinpoo serem aceitam estão no final.
Nos Estados Unidos, sempre que acontece algo com algum pet viajando de avião, é necessário que seja feito um relatório, e isso é consolidado em um relatório anual. Estatisticamente, caixas de transporte inapropriadas são a causa da maioria esmagadora das tragédias. Prestemos um pouco mais de atenção a isso para melhorar a segurança de nossos pets.
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Luis Fernando Oliveira é especialista em viagem de pets e fundador da DOC-DOG.